Sair do modo de sobrevivência
Li ontem uma frase no pinterest que me esmagou como uma daquelas bigornas gigantescas de desenho animado: you can't create in survival mode, você não pode criar em modo de sobrevivência.
Eu senti aquelas palavras como um grande peso que já estava pairando sobre meu corpo há tempos, mas que eu não conseguia visualizar, não conseguia transformar em algo real. E então, naquele momento, tudo que eu tenho vivido nos últimos meses, no último ano talvez, parece que veio caindo em cima de mim de uma vez só. Acho que até precisei respirar extra forte, como se estivesse acordando assustada de um pesadelo.
Falei no primeiro post daqui o quanto eu sinto falta de criar e o quanto isso sempre foi parte da minha maneira de viver e experienciar o mundo. E esse espaço aqui é uma primeira tentativa, com pouca pressão e bastante tranquilidade, de eu voltar a ser uma pessoa que faz coisas. Mas ler essa incompatibilidade da criação com o estar em modo de sobrevivência fez um sentido enorme pra mim ontem.
É difícil criar coisas novas quando a gente está preocupada em se manter viva o tempo todo. Quando tudo parece difícil demais e é preciso gastar todas as energias segurando os pratinhos no ar, não sobra vida o suficiente pra expressar no final do dia. E a tristeza e desespero de sobreviver ao invés de viver sufoca cada vez mais.
Então, estou aqui, me comprometendo com mais uma tentativa: de viver um pouquinho mais a cada dia. De lembrar que sou mais do que meu emprego e minha carreira, ou da falta dela estar como eu já imaginei. De lembrar que não preciso sofrer pelas decisões que não estão em meu alcance. De lembrar que a beleza está nas pequenas coisas do dia-a-dia e que não custa dinheiro nenhum.
Ainda não tenho respostas e nem sei o que de concretamente posso colocar nos meus dias pra sair do modo de sobrevivência. Mas, por agora, estou abrindo espaço e me deixando livre pra brincar um pouquinho mais. Na liberdade a gente cria.